Um grupo de cientistas acreditam ter descoberto uma explicação-chave
para o déjà vu, aquela misteriosa sensação de estar diante de algo que
já foi vivido, segundo um artigo que será publicado na edição de sábado
da revista científica New Scientist.
De acordo com a pesquisa, as
experiências sugerem que o déjà vu pode ser provocado de forma
independente, sem haver uma memória real para acioná-lo.
Acredita-se
que reconhecer um objeto ou situação familiar engatilhe dois processos
no cérebro. Primeiro, a mente busca em seu arquivo de memória para
descobrir se os conteúdos daquela cena já foram vistos antes. Em caso
afirmativo, uma parte separada do cérebro identifica a cena ou o objeto
como familiares.
Explorando esta teoria de dois passos, uma equipe
de cientistas da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra,
mostraram a voluntários 24 palavras comuns e em seguida os hipnotizaram.
Os cientistas disseram aos 18 voluntários que, quando estivessem diante
de uma palavra em uma moldura vermelha, eles sentiriam a palavra como
sendo familiar, embora não soubessem quando foi a última vez que a
viram. Mas se vissem uma palavra em uma moldura verde, eles pensariam
que ela pertencia à lista original de 24.
Em seguida, os
voluntários foram tirados do estado de hipnose e expostos a uma série de
palavras em molduras de cores variadas. Algumas não pertenciam à lista
original de 24 ou estavam em molduras verdes ou vermelhas. Dez
voluntários disseram ter experimentado uma estranha sensação quando
viram novas palavras em vermelho e outros cinco disseram que esta
sensação definitivamente se parecia com um déjà vu.
A cientista
Akira O´Connor, aluna do doutorado do Grupo de Memória da Universidade
disse que as descobertas lançam uma luz intrigante sobre os casos de
déjà vu e o modus operandi da memória humana. "Isso nos diz que é
possível dissociar de forma experimental estes dois processos, o que é
realmente importante para estabelecer que são, de fato, separados",
disse O´Connor, segundo o artigo da New Scientist.
Uma pesquisa
anterior sugeriu que o déjà vu pode se originar em uma parte do cérebro
chamado lóbulo temporal. Algumas pessoas com epilepsia no lóbulo
temporal freqüentemente têm registros de déjà vu, e cientistas franceses
descobriram que partes eletricamente estimuladas do lóbulo temporal
podem acionar a sensação de familiaridade com tudo o que uma pessoa
encontrar pela frente.
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