São 4 os elementos essenciais da natureza: terra, fogo, água e ar. Desde que o ser humano se entende por gente, ele tem direito ao livre contato com eles. A natureza sempre esteve associada à idéia de liberdade. Por isso, o homem tira dessas dádivas naturais forças para enfrentar as pequenas prisões do dia– a– dia.
O que dizer então de uma certa cidade ventosa e ensolarada em que os representantes dos homens locais tentam incansavelmente privar as pessoas desses 4 elementos? Afinal, esses “representantes” estão de fato representando quem?
Primeiro eles contribuem para que ricos empresários imobiliários e construtores possam rifar nossos territórios para toda sorte de estrangeiros. Permitem uma verticalização indiscriminada, sem a menor racionalidade, prejudicando a cidade, o meio– ambiente e nossa qualidade de vida. Essa permissividade também inflacionou os imóveis mais bem localizados, tornando algumas áreas de Natal, impraticáveis para os natalenses. E assim eles nos privam da terra.
E o plano diretor, hein? Elaborado no decorrer de anos graças ao trabalho de técnicos, especialistas e representantes da sociedade civil, recebeu algumas nebulosas emendas por parte dos representantes “do povo”. Numa delas, passam a permitir a construção de prédios altos na Avenida Xavier da Silveira. Segundo especialistas, essa medida, se posta em prática, impediria que as correntes de ar pudessem penetrar em Natal, tornando o calor da cidade algo insuportável. Sem a brisa que traz a alta temperatura da esquina do continente para próximo de níveis suportáveis, o natalense sofreria com o forte calor sem direito a refresco. E como o vento é o ar em movimento, é dessa forma que eles nos tiram o ar.
Outra emenda proposta pelos detentores de nossas representações permite o aumento na altura dos prédios construídos na Zona Norte. Estudos realizados recentemente confirmam que a água consumida naquela área da cidade, geralmente deixada de lado pelo poder público, encontra– se poluída por nitrato, uma substância altamente tóxica que pode transmitir até câncer. É desse jeito que eles nos privam da água.
Por fim, nos resta o 4º e último dos elementos: o fogo! A chama que alimenta nosso orgulho natalense e que pode ser representado pelo astro rei, aquele que nasce pra todos, que brilha incessantemente no zênite da esfera celeste: o sol. É ele que nos lembra todos os dias (menos quando chove, claro) que é especial viver aqui. Ele que eleva a temperatura e prolonga o verão ad infinitum. Seu flamejante brilho nos recorda que nenhuma medida, nem emenda, nem ação venal de nossos representantes, nem os subornos imobiliários, enfim, nada pode nos privar do fogo. Ele vai continuar lá no alto, ardendo sobre nossas moleiras.
Porém, nossos vorazes inimigos íntimos não descansam. Mesmo sabendo que eles não podem nos privar do sol, eles tentam tapá– lo, usando… uma peneira.
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